Sushi e Vinho

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"Antes de mais nada, preciso confessar: gosto de beber vinho. Experimentar um
 produtor diferente, uma uva que não conheço, descobrir o quanto a
 história e geografia de cada lugar determinam o que você vai beber é
 muito divertido. Em segundo lugar, tenho que dizer que vinho é uma
 experiência muito pessoal. Vinho é algo que apela aos sentidos, o cheiro
 que vem ao trazer a taça para beber, a cor que você vê no copo, aquela
 sensação que produz na boca – tudo depende do seu nariz, dos seus olhos e
 da sua língua! Assim, não consigo me expressar em termos técnicos, não
 estudo o assunto, enfim não sou um enólogo – somente bebo muito vinho.

Dito isso, vamos ao que interessa. Uma das grandes diversões de beber vinho é
combinar o que você está comendo com o que você vai beber. O pessoal
especializado chama isso de harmonização. Não é muito difícil, e existe
muita informação sobre o assunto. No caso, sempre me intrigou o que
fazer quando o jantar é composto de sushis e sashimis. O japonês bebe,
tradicionalmente, chá verde e cerveja (do tipo pilsen ou lager, a loira
clara). Por aqui, adicionamos a coca-cola e o guaraná. Em grande parte,
isso se deve a dificuldade imposta pelo shoyu
e pelo wasabi – são temperos fortes, que acabam demandando uma bebida
que “lava” o paladar. Eu queria beber vinho. Tentei várias alternativas:
champagne brut, prosecco, outros espumantes, brancos secos
(chardonnay), brancos frutados (sauvignon blanc, riesling), até meio
suaves (gewustraminer), de várias nacionalidades, todos em algum momento
recomendados por quem entende do assunto. O google é muito útil – teste
e você vai ver quantas opiniões aparecem sobre o assunto. Minha
conclusão: beba cerveja.

Hoje encontrei em um blog uma conversa diferente. Algum gringo maluco (ou
dedicado) foi testando peixe por peixe, vinho por vinho, quais seriam as
combinações que funcionam.

Em grande parte, confirmou-se a teoria dos brancos. Mas apareceu algo
diferente: tintos relativamente leves, derivados de pinot noir. Estes
vinhos aparecem no novo mundo (EUA, Nova Zelândia, Chile, Austrália)
mais potentes, e principalmente na França (Borgonha) mais elegantes.
Escolhi um chileno de muito boa cepa: Casa Lapostolle, Pinot Noir Cuvee
Alexandre, 2005. Passei a garrafa pela geladeira, só para dar aquele
susto no vinho, e deixá-lo mais fresco.

Os sushis, sashimis e que tais eram basicamente de atum e salmão (o
restaurante tinha poucas opções hoje a noite). O resultado foi
surpreendente (para mim): excelente! O pinot noir parece que foi feito
para o atum cru; o sashimi de salmão (de boa qualidade, gorduroso, com
aquelas belas estrias brancas) também funcionou muito bem. Em geral tudo
combinou; a única exceção foi um sashimi “new style” de salmão, que
vinha com um molho abundante a base de shoyu e cebolinha verde – não
ficou ruim, mas digamos que o par não termina em casamento. Tente, é
surpreendente, é gostoso e faz o seu jantar japonês adquirir uma
dimensão que você não está acostumando. Só mais uma coisa: sempre foi
recomendado alternar goles de água com o vinho – no caso da cozinha
japonesa, isso é ainda mais importante; beba muita água.”

Claudio Citrin

 

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